ESTÁDIO MUNICIPAL COARACY DA MATA FONSECA

O Dr. Coaracy da Mata Fonseca foi o vigésimo prefeito de Arapiraca. Ao assumir a prefeitura, no dia 30 de Janeiro de 1951, a cidade tinha apenas vinte e seis anos de emancipação.

Relatos dão conta da construção da via férrea naquela época, pela empresa Camilo Colier. Os seus funcionários encontravam no futebol uma das poucas, senão a única diversão. Atendendo as suas reivindicações, a empresa disponibilizou um terreno e ali construiu um campo de futebol. Assim surgiu o Ferroviário, um time amador, coincidentemente das mesmas cores do ASA: preto e branco.

Com o término das obras da rede ferroviária, a cidade ficou sem as animadas pelejas promovidas pelos muitos funcionários daquela empresa nos dias de Domingo. Daí surgiu a iniciativa de alguns ilustres cidadãos arapiraquenses de fundar um clube de futebol e, no dia 25 de Setembro de 1952, nasceu a então Associação Sportiva Arapiraquense nas cores alvinegras.

O Dr. Coaracy adquiriu o terreno e construiu o estádio, que recebeu o seu nome e ali, desde a fundação, o ASA passou a mandar os jogos. No ano seguinte, em sua primeira disputa, conquistaria o título de campeão alagoano de 1953.

O estádio Municipal de Arapiraca, localizado à Avenida Ventura de Farias, às margens da linha férrea, até o ano de 1977 não tinha iluminação artificial, gramado, nem lances de arquibancadas. O público assistia aos jogos em pé diante do alambrado no entorno das quatro linhas do campo de terra batida. Os torcedores carinhosamente o denominavam de “o Poeirão”, haja vista a poeira propagada pelo vento e pelas chuteiras dos atletas.

No início de 1976, o Fumeirão recebeu as primeiras melhorias, por conta disso, o ASA não disputou nenhuma partida em Arapiraca no campeonato alagoano daquele ano. No dia 29 de Outubro de 1977, o Estádio Coaracy da Mata Fonseca deixou de ser o Poeirão. 

Recebera um gramado impecável, fosso divisor da torcida com o campo de jogo; refletores e lances de arquibancadas. A partida de reinauguração foi contra o “leão da ilha”, como é chamado carinhosamente o Sport Club do Recife. O placar terminou com a vitória dos pernambucanos por 2 x 0.

Posteriormente, após algumas melhorias de menor expressão ao longo dos anos, o estádio teve, em 2010, a sua maior transformação desde aquela promovida pelo prefeito Agripino Alexandre, em 1976. Na administração do prefeito Luciano Barbosa, o fosso foi suprimido; o gramado inteiramente substituído; nova iluminação; ampliação das arquibancadas da ala oeste; novas cabines de rádio e televisão; vestiários; uma nova fachada, enfim, o Fumeirão ganhou uma cara nova.

Após essa intervenção, o estádio passou a ter uma capacidade de público estimada em 15.000 pessoas.

Obviamente, o Estádio Municipal de Arapiraca ainda tem muitas carências, que ficaram muito mais visíveis com ascensão do ASA no futebol brasileiro, especialmente, a partir de 2009, quando decidiu a Série C do Brasileirão, sendo o vice campeão, e conquistou o acesso para a Série B do ano seguinte.

A necessidade de uma reforma mais abrangente no estádio, dotando-o de uma cobertura total, pelo menos na ala oeste, onde se situam as cabines das rádios e canais televisivos; melhoria da visibilidade daquele mesmo setor, que foi muito mal construído, por não oferecer ampla visibilidade do campo de jogo aos torcedores; um novo placar eletrônico de melhor qualidade; substituição das arquibancadas metálicas por uma estrutura em concreto armado e a sua interligação com os lances da entrada do estádio, ampliando assim ainda mais a sua capacidade, dentre outras obras que possibilitem um melhor atendimento ao que é exigido pelo Estatuto do Torcedor já ecoa nas redes sociais e nos “bate papo” dos torcedores como algo a ser realizado em curtíssimo prazo pela municipalidade.

Para reforçar o fato de que uma nova intervenção muito mais abrangente no Fumeirão é algo premente, vem a lembrança de que o Estádio Rei Pelé iniciou a sua construção em 1968 e foi inaugurado em 1970. Naquele ano, Maceió tinha uma população de 263.000 pessoas. Arapiraca tem hoje mais de 220.000 habitantes, além do fato de a torcida do ASA não se restringir apenas à cidade, mas também aos municípios circunvizinhos.

Se é inviável transformar o Fumeirão em um estádio a altura da cidade, então que se construa um novo em outro local compatível e com uma estrutura capaz de dignificar o futebol arapiraquense e alagoano.