Hora de abraçar o clube

À primeira vista, pode soar estranho o título deste texto. Alguns pode dizer: - Como assim? Abraçar um time de perdedores?  Um elenco de derrotados? Atletas que rebaixaram o ASA para a Série C, mesmo com salários em dia e nada faltando na concentração?

 

Resposta: A hora é exatamente essa, a da certeza do rebaixamento, afinal não vamos fazer um milagre matemático, faltando seis rodadas para o término da competição.

 

Por que temos de marcar presença no Fumeirão nos jogos restantes da Série B? Por um motivo muito simples: 2014 começou agora para o ASA. É o momento de a diretoria fazer a sua parte, renovando o contrato dos atletas que interessam ao alvinegro e já fazendo os contatos para trazer os reforços e a da torcida de fazer a sua, incentivando o time no estádio, afinal esse clube não é um desvalido, um “cão sem dono” e a torcida é guerreira e ama as cores alvinegras arapiraquenses. Quem faz o ASA gigante somos nós, os torcedores.

 

Rebaixamentos acontecem até nas “melhores famílias”.  Foi assim com os grandíssimos Corinthians, Palmeiras duas vezes, Grêmio, Atlético/MG, Vasco, Botafogo, Coritiba, Atlético/PR e, alguns, como o Fluminense caíram até a Série C. O Santa Cruz, dono da maior torcida do Nordeste, desceu até a Série D e ainda luta há vários anos na Série C para chegar onde o ASA está hoje.

 

A Chapecoense e o Joinville estavam na Série D, em 2009 e 2010, respectivamente, e agora fazem brilhantes campanhas na Série B com chances reais de acesso à Série A. Bahia e Vitória disputaram a Série C em 2006 e agora estão na elite máxima do futebol brasileiro.

 

Temos inúmeros exemplos a dar para justificar que o ASA não é diferente de nenhum outro clube do Brasil e, se for rebaixado (e será, infelizmente), será porque disputou uma competição elitizada e desejada por grandes clubes, como o Fortaleza, por exemplo, que não conseguiu o acesso este ano e continua na Série C, assim como o Guarani de Campinas, campeão brasileiro de 1978, dono de um belíssimo estádio, o Brinco de Ouro da Princesa e sediado numa das cidades mais ricas do interior do Brasil.

 

Se quisermos um 2014 de vitórias, temos de iniciá-lo desde já. Nesse sentido, o papel da torcida é lotar o estádio, mostrando a sua força, independentemente de qual competição disputemos. O da diretoria é ter equilíbrio para tomar as melhores decisões e não trocar os pés pelas mãos, como fez este ano, especialmente na escolha dos treinadores e na demora em substituí-los, quando o barco começava a “fazer água” e na opção de preferir a quantidade, em vez de qualidade nas contratações.

 

Voltemos ao Fumeirão, que é o lugar da torcida se manifestar, protestar, vaiar, aplaudir, incentivar, mas, para isso tem de estar lá nas arquibancadas. Façamos como a torcida coral do Santa Cruz, que superlota o Arruda em todos os jogos do seu clube e em todas as competições. Aquilo sim é um exemplo de como torcer por um time de futebol.

 

A hora é essa. 2014 já começou!