Ingratidão

Não fui ao Estádio Rei Pelé ver o meu ASA gigante ser derrotado pelo CSA por dois a zero na tarde deste último domingo, dia 14 de abril de 2013, em protesto contra o abuso da diretoria azulina, que não disponibilizou ingressos de meia entrada para as cadeiras, apenas para as arquibancadas e não me arrependo nem um pouco dessa decisão.

 

Primeiro porque sairia arrasado não só pela derrota, mas também pela apatia do time no gramado, segundo os comentários das rádios que transmitiram o espetáculo e, por último, pela ingratidão da torcida alvinegra presente no jogo, ao vaiar o atleta Didira, que não esteve em seus melhores dias, com uma das piores apresentações de toda a sua carreira.

 

Ingratidão, segundo os dicionários mais lidos, é o não reconhecimento do bem que alguém lhe prestou uma ou mais vezes. Algum torcedor duvida da imensa contribuição prestada pelo atleta Didira ao ASA, desde que começou a vestir a camisa do time alvinegro? Certamente aparecerão muitos, ao querer justificar a vaia dada, com a alegação de que ele não fez mais do que a sua obrigação, porque ganha para isso. É assim que essa banda toca? Não mesmo!

 

Todo profissional em qualquer área de atividade erra e não é só uma vez na vida. Segundo o blog Pelejas, o rei Pelé perdeu dezoito (!!!) pênaltis em toda a sua carreira. Imaginem isso, um extraterrestre da bola como esse, falhando assim tantas vezes em lances vitais de uma partida!

 

Pois essa mesma torcida do ASA que ontem vaiou o Didira, o menino da vila, crucificou também o meia Raul, porque ele perdeu UM pênalti em jogo da Série B 2011, contra a Ponte Preta no Fumeirão. Resultado? Ele foi embora e agora é ídolo da incomensurável torcida do Santa Cruz de Recife, com atuações elogiadas pela crônica esportiva pernambucana. Agora o alvinegro não tem nenhum “camisa dez” para chamar de seu e a culpa é do Didira pela baixa produção do time todo? Tenham dó!

 

A diretoria alvinegra montou um grande elenco para o campeonato alagoano. Três bons goleiros, zaga bem servida, laterais de boa qualidade, volantes de bom nível e, para mim, o Didira é um terceiro volante, nunca um meia de armação e atacantes de sobra, porém, não contratou nenhum para a camisa dez do time e isso faz muita diferença.

 

Vejam o CEO. Lá eles têm o Nem com 40 anos, mas é ele quem faz a diferença naquele time. Idem o CRB com o Wálter Minhoca, o CSA com o Kel, Alex e assim por diante. O ASA só tem bons volantes, homens para a armação das jogadas nenhum no elenco que, como disse antes, não deixa nada a desejar em comparação a nenhuma outra equipe do campeonato alagoano, exceto nesse particular.

 

Portanto, caros alvinegros, deixemos de ser ingratos com o nosso maior ídolo, que é o menino da vila, o Didira, afinal, andorinha só não faz verão.