Resgatemos o 12° jogador

Há algum tempo vimos batendo nessa tecla na esperança de que um dia se transforme em realidade. O ASA precisa urgentemente iniciar o processo de resgate do torcedor alvinegro, para assegurar a sua presença maciça no Estádio Municipal Coaracy da Mata Fonseca, especialmente naqueles jogos vitais duma campanha que busca o título estadual ou nos que visem a classificação em competições de nível nacional, como são a Copa do Brasil e a Série C do Brasileirão.

 

Eis que surge a interrogação: o que vem afastando o torcedor alvinegro do estádio?

 

Em primeiro lugar, apresenta-se como um dos fatores de desestímulo do arapiraquense a sair do conforto do seu lar, a precariedade das instalações do Estádio Municipal. Não precisamos ir muito longe para detectarmos essa realidade. É só compararmos o Estádio Rei Pelé, em Maceió, com o Coaracy da Mata Fonseca. Tratamos aqui de dois estádios, que são palcos de jogos do mesmo campeonato estadual.

 

Numa análise mais apressada, poder-se-ia afirmar que Maceió é a capital e Arapiraca é uma cidade do interior alagoano e daí decorrer a disparidade entre uma e outra praça de esportes, mas não se refere este texto à capacidade de público, mas ao conforto, à segurança, acessibilidade e, indo mais aos detalhes, a um placar que exiba o resultado da partida para o torcedor; cadeiras em condições de acomodar o público; visibilidade do campo de jogo; que as arquibancadas não sejam de madeira; sanitários minimamente asseados, enfim, um estádio concebido de tal maneira, que promova o prazer do público em estar presente em suas dependências, como ocorre na capital do estado, aos usuários do Trapichão. Repito: não estar se referindo aqui à capacidade de público. Esse é outro tema completamente diferente do ora discutido.

 

Em segundo lugar, mas não menos importante, é a permissividade da direção do ASA na transmissão dos jogos do alvinegro, como mandante, em TV ABERTA com sinal disponível para a própria cidade de Arapiraca. Isso não existe, amigos!

 

Segundo informações, o ASA receberá cerca de R$ 80 mil reais para permitir a transmissão de seis jogos do campeonato alagoano em TV ABERTA. Isso representa R$ 13.333,00 por jogo! Equivale a 1.330 ingressos de arquibancada baixa em preços promocionais de R$ 10,00.

 

Tomemos, como exemplo, o último clássico entre ASA e CSA, realizado no Sábado, dia 22/02/2014. As rádios divulgaram um público pagante de dois mil e poucos torcedores, para uma renda aproximada de R$ 23.000,00. Se esse jogo tivesse ocorrido no domingo, às 16 horas, será que não haveria 1.300 torcedores pagantes a mais no estádio?

 

Vamos supor que a renda, com o jogo no domingo às 16 horas, fosse de R$ 36.333,00 (os R$ 23.000,00 arrecadados no jogo mais a verba da TV aberta), ou seja, sem a TV aberta o ASA arrecadasse o mesmo valor do ora estabelecido pela diretoria. Nessa hipótese, o que seria mais importante para o clube?

 

Uma maior presença de torcedores no estádio, constituindo-se em mais 12°s jogadores, empurrando o time contra o adversário ou a verba da TV aberta e público reduzido? Não é preciso nem resposta a uma pergunta dessas. A medida do tamanho de um clube é aferida pelo seu número de torcedores.  Clubes sem torcida, jamais serão reconhecidamente grandes, mesmo com títulos em sua galeria.

 

Indo a mais uma interrogação. Por que os clássicos de meio de campeonato entre CRB e CSA não são transmitidos em TV aberta? Será que é porque dão menos audiência?

 

É notório! Quanto mais telespectadores, mais verba de patrocinadores na televisão. O maior produto televisivo do futebol alagoano é CRB x CSA. Isso é ponto pacífico. E mais! Quando há transmissão de um clássico entre esses clubes, mesmo pela Internet ou em TV a cabo, não há divulgação antecipada, como são divulgados escancaradamente os jogos do ASA, o bobo, o trouxa, o zé mané da TV aberta alagoana, a torto, a direito, de dia, de noite, de madrugada. Chega a ser irritante ver tamanha discriminação! Aquele velhíssimo ditado cabe aqui como uma luva: “cego mesmo é aquele que não quer ver”.

 

Os clubes da capital, acertada e estrategicamente, querem os seus torcedores no Trapichão e não é porque é mais ou menos rentável às respectivas finanças da dupla maceioense, em absoluto! O xis dessa questão é outro. CRB e CSA querem ser campeões e torcedor na arquibancada é peça-chave desse objetivo.

 

Isso não é de hoje não, amigos! No passado, quando os regulamentos permitiam, CRB e CSA costumavam comprar os mandos de campo dos times do interior, muitas vezes com prejuízos financeiros, para contarem com a torcida em seu favor.

 

Querem um exemplo?  Em 08/10/1967, o CRB pagou ao ASA NCr$ 2.000,00 (cruzeiros novos, a moeda da época), livres de despesas de hospedagem e deslocamento, pelo mando de campo alvinegro. Naquele ano, o ASA tinha um grande time e seria um osso duro de roer se o jogo fosse no Fumeirão. A renda na Pajuçara (não existia ainda o Trapichão) foi de apenas NCr$ 3.115,00, ou seja, nada sobrou para o regatas, mas, no final, venceu a partida por 2 a 0. Naquele ano, o alvinegro foi vice campeão alagoano e o CSA chegou ao seu tricampeonato estadual.

 

Torcida motiva os atletas no campo de jogo; pressiona arbitragem e dá um brilho insubstituível a uma partida de futebol. Um jogo com público ínfimo, como o do último ASA e CSA, parece-se mais com uma partida sem maior projeção, assemelha-se mais a um amistoso sem expressão, do que a um confronto de três pontos vitais para uma classificação dentro de um campeonato, que assegura ao campeão e ao vice um lugar na Copa do Brasil e na Copa do Nordeste do ano seguinte.

 

Aprendamos com o passado então, meus caros diretores alvinegros, quando um ASA sem eira nem beira se vendia por absoluta falta de opção. Era a época do aquilo ou aquilo mesmo. Agora não. O ASA se transformou no gigante do professor Pedro de França Reys. Ele convocou os “craques da esportiva” para o ASA um gigante tornar, surgir, nascer. Os atletas fizeram a sua parte com brilhantismo, dentro dos gramados alagoanos e brasileiros, capitaneados por diretorias corajosas, empreendedoras, abnegadas.

 

O convite que se faz agora não é direcionado aos atletas, tampouco é feito por alguém da magnitude do mestre Pedro de França Reys, mas por um simples e apaixonador torcedor do ASA gigante, que acredita ser a torcida a alma de um clube de futebol. Time sem torcida é time sem sangue nas veias.

 

Trazei de volta o torcedor ao lugar que é seu de fato e de direito, custe o que custar: as dependências do Estádio Municipal Coaracy da Mata Fonseca. Isso é impagável. Isso é inadiável.