Será agora a hora da verdade?

Indubitavelmente, o Campeonato Alagoano de Futebol viverá a partir da próxima quarta feira, a sua particular e peculiar hora da verdade, já que os próximos jogos serão decisivos e eliminatórios. Aquele clube que sair em desvantagem nos dois confrontos das semifinais e finais do 2° turno e nas partidas finalíssimas, dará adeus à chance de conquista do título máximo da competição. Isso é um fato incontestável.
Mas seria mesmo agora a hora da verdade? Os fatos mostram exatamente o contrário.
Precisaríamos retornar ao momento de elaboração do regulamento do campeonato alagoano, antes mesmo do primeiro apito do jogo inaugural, no dia 14/01 entre ASA e CEO, quando os cartolas do nosso futebol tiveram a oportunidade única, diga-se de passagem, de estabelecer a tal hora da verdade. Mas o que se viu ali? Uma verdadeira patacoada! Se se criou uma lei ali, fora, nada mais nada menos, do que a do menor esforço. A lei do preguiçoso mental.
No 1° turno, coincidentemente e por um mero acaso do destino, o vencedor foi o time de melhor campanha até então, qual seja, o Clube de Regatas Brasil. Até aí nada a reclamar, nada a se contestar, porque a verdade e a justiça prevaleceram.
Pois bem. Aí veio o 2° turno. Classificaram-se CSA, ASA, CSE e Sport Atalaia. Confesso que me alegra ver o CSE num quadrangular decisivo, mas olhemos para a classificação geral da competição até o momento de definição dos quatro finalistas do 2° turno.
O que se ver lá? ASA (40 pontos), CSA (36 pontos), CRB (36 pontos) e Corinthians do Pilar (27 pontos). Essas são as quatro melhores campanhas da competição, mas, por que CRB e Corinthians não estão no quadrangular, ocupando as vagas de CSE e Sport Atalaia se esses dois têm campanhas muito inferiores no cômputo geral?
O CSE tem cinco pontos a menos do que o Corinthians e quatorze, pasmem, quatorze (!!!) pontos de desvantagem em relação ao CRB, mesmo assim, continua na competição e o CRB fora. Repito aqui, prefiro o tri colorido ao galo, mas não sou o dono do futebol alagoano, portanto, a minha vontade nada significa na discussão ora levantada.
Imaginemos agora outra situação. Se o ASA tivesse sido o campeão do 1° turno na cobrança dos pênaltis. O CRB agora estaria definitivamente desclassificado do campeonato, mesmo com larga vantagem (quatorze pontos) sobre os que continuam na disputa. Isso é justiça? É essa a verdade estabelecida pela cartolagem?
O CSE pode ser campeão estadual com 28 pontos. É só empatar os seis jogos restantes e vencer nos pênaltis. O ASA com 40 pontos, 12 a mais nem seria o vice, já que o CSE venceria o 2° turno e o campeonato contra o CRB com dois empates e pênaltis em seu favor.
Outra aberração amplamente criticada até aqui é a desconsideração do saldo de gols nos jogos decisivos. Uma equipe pode vencer uma partida por nove ou dez a zero, se perder o outro jogo pelo escore mínimo e tiver insucesso nos pênaltis será eliminada da competição. Como pode uma lei ser tão injusta, ao ponto de recompensar o demérito e desprestigiar o melhor esforço? Premia-se aqui o infortúnio, o futebol que se lixe! Para que premiar o bom futebol, não é mesmo? Vamos coroar as retrancas, pois isso sim engrandece o esporte bretão.
Isso tudo aí foi a boa notícia. A ruim vem agora. Em 2013, o regulamento não poderá ser alterado. Só poderá sofrer mudanças em 2014, conforme prevê o Estatuto do Torcedor, ou seja, as “choradeiras”, acaso ocorram, terão mais um ano de sobrevida, a não ser que o clube de melhor campanha seja o campeão alagoano. Até o presente instante, o ASA é aquele com maior pontuação na classificação geral, seguido pelo CSA e CRB, ambos, com quatro pontos de desvantagem em relação ao alvinegro.
Um desses três sendo o campeão as tais aberrações normativas seriam temporariamente esquecidas, pelo menos, até o ano vindouro, mas imaginemos o CSE ou o Sport Atalaia levantando a taça. Far-se-ia justiça? Estabelecer-se-ia a verdade? Óbvio que não, com todo o respeito a essas duas honrosas agremiações do futebol alagoano, que teriam o seu título legitimamente assegurado pelo regulamento em vigor.
Sugestões? Que participem dos quadrangulares decisivos as quatro melhores equipes classificadas no cômputo geral tanto no 1°, quanto no 2° turno da competição; Que o saldo de gols volte a prevalecer nos jogos decisivos; Que conste claramente no regulamento de quem são as vagas da Copa do Nordeste; Que o clube de melhor campanha (no cômputo geral) jogue por dois resultados iguais, bem como tenha o mando de campo no jogo da volta, isso eliminaria a loteria dos pênaltis e premiaria a equipe mais regular na competição, enfim, que deixem de reinventar a roda.
O que o torcedor espera mesmo é que os erros sirvam de aprendizado para 2014, o ano da Copa, vejam só!