Um sonho de consumo alvinegro

(Maquete da reforma em andamento do Estádio Municipal)

Há cerca de cinquenta anos atrás, um prefeito resolveu construir um estádio de futebol para abrigar um clube recém fundado, a então Associação Sportiva Arapiraquense. Merecidamente, o estádio receberia o nome do seu fundador, Coaracy da Mata Fonseca. Falamos aqui de acontecimentos do início dos anos 50, época em que Arapiraca contava com pouco mais de 37.000 habitantes.

Pois bem. A cidade cresceu e cresceu num ritmo superior à média da maioria das cidades brasileiras. Em 1970, Arapiraca tinha aproximadamente 94.000 habitantes. No censo do IBGE de 2010, registrou-se 216.108 habitantes. Vejam isso! Em 42 anos, Arapiraca mais que dobrou demograficamente.

A continuar essa tendência, em 2050, Arapiraca terá uma população de 400 mil pessoas!

Aonde quero chegar com esses números que nada têm a ver com o futebol? Será que não mesmo? Óbvio que tem tudo a ver e como tem! Estamos nos referindo aqui a uma cidade, encravada no centro de uma região agreste, que adora futebol e não é de hoje isso não. O Fumeirão já lotava nos anos 60, 70 e, especialmente, nos anos 80, quando o ASA começou a formar grandes equipes de futebol.

Vindo agora à realidade atual, na qual o ASA se tornou o gigante cantado e proseado na melodia e letra do seu hino, quando passou a conquistar títulos estaduais, um atrás do outro, e a participar da Série B do campeonato brasileiro de futebol, depois de um honroso vice campeonato brasileiro da Série C de 2009, tornou-se pública e notória a necessidade premente de a cidade dispor de um estádio de futebol com uma estrutura física, que respeite minimamente os ditames do Estatuto do Torcedor (Lei n° 10.671/2003) e não é isso o que se observa no Fumeirão.

Reconhecidos os esforços da administração municipal para melhoria das acomodações do Fumeirão, entendemos, sobre todos os aspectos, que, construir-se um novo estádio de futebol para 15.000 ou 16.000 pessoas, em outro local mais afastado do centro da cidade, mais confortável, mais seguro e dotado de equipamentos necessários para os profissionais envolvidos desempenharem dignamente as suas funções e, por outro lado, o público sentir prazer em adquirir um ingresso para assistir uma partida de futebol, sabendo, de antemão, que assistirá, realmente o espetáculo para o qual investiu o fruto do seu trabalho e não ficará, obrigatoriamente, em pé durante todo o evento, porque a visibilidade é quase nula em quase todas as partes do estádio.

Gastar-se tempo e dinheiro para remendar a estrutura viciada do Fumeirão é um equívoco administrativo, apesar da inegável boa intenção da prefeitura, por tudo isso, rogo aos políticos que nos representam, para elaborarem um projeto de estádio novo para Arapiraca. Submetam-no ao Ministro dos Esportes; Argumentem fervorosamente da potencialidade da cidade e região, que cresce a passos largos e precisa sair da década de 50 e, enfim, presenteiem-nos com um templo verdadeiramente sagrado do futebol. O ASA já fez a sua parte, transformando-se num verdadeiro gigante das Alagoas. Os nossos políticos estão devendo a sua (que é nossa, eleitores) cota de participação nessa empreitada.