Uma eliminação em boa hora

            Imaginemos o ASA campeão da Copa Alagoas de 2014 com 100% de aproveitamento. Certamente teríamos um início de temporada tão ilusório, quanto o do ano passado, quando o alvinegro chegou à final da Copa do Nordeste, depois de vencer adversários de expressão no futebol nordestino, como o Vitória (quebra de tabu) e o Ceará em pleno Castelão.

 

Depois das duas derrotas na final do Nordestão para o Campinense, o ASA começou a “fazer água” também no campeonato alagoano, não conseguindo chegar à decisão do título, como o fizera entre 2008 e 2012. Nos cinco anos anteriores, ou foi campeão estadual ou foi vice. E o pior ainda estava por vir, o rebaixamento para a Série C no final da temporada passada.

 

            Tivesse o ASA conquistado a Copa Alagoas, certamente a diretoria e a torcida alvinegras estariam em “lua de mel” com o time e a miopia supracitada, observada no início do ano anterior, daria o ar da graça mais uma vez.

 

            Agora não. O fiasco nas semifinais do 1° turno do campeonato alagoano é um ótimo sinalizador das deficiências do time. Foi só o nível subir um pouco, para o ASA mostrar que não tem condições de conquistar nada de mais alvissareiro daqui em diante, a não ser que as mudanças ocorram de forma equilibrada.

 

A primeira já ocorreu. Foi-se o Heron Ferreira. Contratou-se o técnico Beto Almeida que aparenta ser um sujeito bem equilibrado, aliás, foi sob o seu comando que o CSA eliminou o ASA do campeonato estadual no ano passado. Resta saber se o novo comandante fará o alvinegro voltar a ser o clube vencedor dos anos anteriores. Terá bons valores para a montagem de um time mais competitivo, mas há carências em posições fundamentais.

 

            O treinador precisará de (bons) reforços pontuais, como, por exemplo, na lateral esquerda, que se encontra órfã de pai e mãe. No último jogo contra o Murici isso se mostrou de forma escancarada. Jogou-se ali com menos um. Idem na meia esquerda, o tal camisa 10, esperado em Arapiraca há muito tempo pela torcida.

 

            Muitos jogos são resolvidos na bola parada. O time não tem no elenco nenhum atleta com habilidade em cobrança de faltas. Nas novas contratações tem de se pensar nesse aspecto, qual seja o de compor o elenco com dois ou três atletas com essa configuração.

 

            Enfim, esperemos que a eliminação do ASA na Copa Alagoas tenha sido útil ao replanejamento do clube para o restante da temporada, afinal agora o bicho vai pegar de jeito. Campeonato Alagoano para valer; Copa do Brasil com os atrativos bônus financeiros das passagens de uma fase à outra e, o principal da temporada, a disputa de uma renhida Série C, na qual o nível de exigência é infinitamente superior ao do campeonato estadual.

 

            Se as bobeadas mais recentes (contratações de atletas “meia boca” ou estropiados) continuarem, o resultado será, com toda a certeza futebolística mundial, o rebaixamento para a Série D e aí, meus amigos, a casa cairia de uma vez por todas e não é isso que a nação alvinegra deseja. Queremos isso sim, ver o ASA, cada vez mais, se afirmar como o gigante alagoano.